Conforme levantamento realizado pelo Diário do Nordeste, com base nos dados órgão cearense, o Estado já acumula 73,7 milímetros nestas duas primeiras semanas.
Em nenhuma outra vez, nas últimas 5 décadas, novembro registrou tanta chuva. Este volume atual já supera em 10 vezes a média histórica para todo o mês, que é de apenas 5,8 mm. Os dados, no entanto, são parciais e podem sofrer alteração tanto para mais quanto para menos.
Mas, o que explica tantos volumes pluviométricos neste mês que antecede a abertura oficial da pré-estação chuvosa (dezembro-janeiro) no Ceará?
meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Flaviano Fernandes, explica que um fenômeno chamado de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) tem atuado com intensidade e, isso, "contribui para ocorrência das chuvas".
La Niña continua atuando e ela está favorecendo as subidas das frentes frias até a Bahia - que avançam, em seguida, ao Ceará -, consequentemente formando a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS)", detalha Flaviano. "Esse sistema [ZCAS] provoca bastante chuva em áreas isoladas, principalmente nas áreas mais ao Sul do Ceará", conclui.
A La Niña é o esfriamento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Quando ela está atuando, aumentam as chances de ocorrência de chuvas em uma porção do Brasil, que contempla o Ceará.
REGIÃO MAIS BENEFICIADA
Conforme explicou Fernandes, o Sul do Estado tem sido mesmo a região mais beneficiada. Os números corroboram a fala do especialista. Das oito macrorregiões cearenses, o Cariri é a que acumula o maior índice, com 126 milímetros. O volume é quase 6 vezes superior à média histórica mensal (22,5 mm).
Já a região com o maior desvio positivo é a Jaguaribana. A média para a macrorregião é de somente 3,1 milímetros e, até agora, a Funceme já registrou o acumulado de 57.1 mm, isto é, quase 18 vezes acima da normal climatológica. Esta ampla variação tem sido homogênea no Ceará. Todas as regiões já superaram, em apenas duas semanas, a média histórica mensal.
Jaguaribana - 57,1 mm (média histórica 3,1 mm)
Sertão Central e Inhamuns - 93,2 mm (média histórica 5,4 mm)
Litoral Norte - 17,6 mm (média histórica 1,5 mm)
Ibiapaba - 90,6 mm (média histórica 7,3 mm)
Litoral de Pecém - 22,2 mm (média histórica 2 mm)
Maciço de Baturité - 53 mm (média histórica 5,2 mm)
Cariri - 126,1 mm (média histórica 22,5 mm)
Litoral de Fortaleza - 17,4 mm (média histórica 3,8 mm)
O QUE ESPERAR DO FUTURO?
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