Desistência e campanha discreta: os candidatos que mais gastaram e não se elegeram no Ceará

Levantamento realizado pelo Diário do Nordeste mostra o desempenho financeiro dos candidatos durante a campanha
disputa por uma vaga de deputado federal ou estadual no Ceará terminou como uma aposta caríssima para alguns candidatos. No pleito deste ano, houve pelo menos dois políticos que receberam mais de R$ 300 mil reais e não conseguiram nem 300 votos.
Maiores gastos por voto de deputados que não foram eleitos
Veja os 10 postulantes que mais investiram na campanha, mas não venceram a disputa

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Cargo
D. Federal

Nome na urna
DR GIOVANNI SAMPAIO

Partido
PSD

Votos
50

Gastos
R$ 322.554,03

Gastos por votos
R$ 6.451,08

Cargo
D. Estadual

Nome na urna
GLADYS LANDIM

Partido
PROS

Votos
90

Gastos
R$ 349.966,00

Gastos por votos
R$ 3.888,51

Cargo
D. Estadual

Nome na urna
NEUMA MARIA

Partido
PROS

Votos
221

Gastos
R$ 300.000,00

Gastos por votos
R$ 1.357,47

Estadual

Nome na urna
LUANA FREITAS

Partido
AGIR

Votos
8

Gastos
R$ 8.500,00

Gastos por votos
R$ 1.062,50

Cargo
D. Estadual

Nome na urna
ÂNGELO ALMEIDA

Partido
PV

Votos
352

Gastos
R$ 341.568,00

Gastos por votos
R$ 970,36

Cargo
D. Estadual

Nome na urna
ARLETE FREITAS

Partido
CIDADANIA

Votos
17

Gastos
R$ 15.000,00

Gastos por votos
R$ 882,35
Federal

Nome na urna
DADINHA ROBERTO

Partido
MDB

Votos
238

Gastos
R$ 195.696,00

Gastos por votos
R$ 822,25

Cargo
D. Estadual

Nome na urna
LUCIA MEDINA

Partido
PSDB

Votos
35

Gastos
R$ 27.716,00

Gastos por votos
R$ 791,89

Cargo
D. Estadual

Nome na urna
CAROL RAMALHO

Partido
MDB

Votos
133

Gastos
R$ 100.449,10

Gastos por votos
R$ 755,26

Estadual

Nome na urna

GILMARA PORTELA

Partido

PMN

Votos

39

Gastos

R$ 25.000,00

Gastos por votos

R$ 641,03

DESISTÊNCIA

Apesar da decisão – anunciada publicamente –, o político ainda recebeu 50 votos, o que o fez liderar o ranking de candidatos que tiveram, proporcionalmente, os gastos mais altos pela quantidade de votos que recebeu. Ao todo, cada voto recebido pelo postulante “custou” R$ 6,4 mil.


Esses recursos contratados foram aplicados, majoritariamente, para publicidade de material impresso, o equivalente a R$ 269,8 mil. A contratação de serviços digitais representa R$ 14,1 mil dos gastos do político. Completam a lista gastos com combustível, R$ 12 mil; contabilidade, R$ 11 mil; e locação de veículos, R$ 6 mil.


Em entrevista ao Diário do Nordeste, o vice-prefeito de Juazeiro do Norte justificou os gastos e a decisão de sair da disputa. 

Esses gastos foram para a contratação da gráfica, o aluguel do comitê e para o marketing, além do pagamento do advogado (...) Eu desisti porque havia combinado de apoiar Camilo Santana para o Senado (PT), mas com o rompimento entre PT e PDT, combinei com o presidente do meu partido que não faria campanha aberta para o Governo do Ceará, mas trabalharia pelo Camilo”, disse.


Segundo Sampaio, a decisão de sair da disputa frustrou planos pessoais, já que ele estava em campanha intensa nas ruas. 


“Tenho 70% do material impresso ainda intacto, estávamos com uma agenda intensa de campanha, mas precisei recuar (...) Esse valor ainda não é todo o que tinham me prometido, eu iria receber R$ 1,2 milhão do partido, mas o repasse foi cancelado em virtude da desistência”, acrescentou.

Nas redes sociais do político, há publicações da campanha de Giovanni Sampaio. O político promoveu caminhadas, carreatas e fez distribuição de materiais impressos.

NÃO VOU FALAR SOBRE ESSE DINHEIRO”

Já a candidata a deputada estadual Gladys Landim (Pros) não desistiu da disputa, mas fez uma campanha mais “discreta” nas redes sociais. A ex-candidata gastou R$ 349,9 mil e recebeu apenas 90 votos.


A postulante estreou neste ano nas disputas eletivas, segundo a Justiça Eleitoral, já pleiteando uma vaga na Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE). Entre os gastos, a candidata investiu R$ 156,7 mil na impressão de material impresso, além de R$ 108,2 mil em propaganda eleitoral gratuita. Ela também aplicou R$ 80 mil na criação de jingles.

Apesar dos altos investimentos, a campanha digital da candidata é discreta. Em redes sociais, a política tem apenas uma publicação indicando o próprio número e o do deputado federal Adilson Pinho (Pros), que teve a campanha mais barata do Ceará, com média de R$ 0,08 por votos. O correligionário de Gladys recebeu apenas R$ 150 para a campanha e obteve 1,7 mil votos 

que chama ainda mais atenção nos contratos é que, apesar de ser candidata no Ceará, todas as empresas que prestaram serviço para Gladys são sediadas em Goiânia, capital de Goiás, ou em Brasília, no Distrito Federal. 


A empresa com a qual a postulante teve os maiores gastos, a Rcmix Digital, de Goiânia, que recebeu cerca de R$ 100 mil da cearense, foi criada no último dia 15 de agosto, menos de dois meses das eleições. 


Mesmo sendo uma empresa recente, a candidata disse, em entrevista ao Diário do Nordeste, que “já conhecia” o trabalho de todas as empresas do Centro-Oeste.


“Fiz campanha, viajei para o Interior, mas a gente trabalha sem dinheiro, sem dar dinheiro nem nada, e o pessoal só vê mais é dinheiro. Quem ganhou muito, é como se fosse uma compra de votos. O que eu ganhei de votos foi por consideração da família. Eu pensei que eu ia ganhar entre 500 a mil votos, mas a gente não pode confiar”, disse.


Questionada sobre os R$ 300 mil recebidos, a candidata se negou a responder. “Não, esse dinheiro aí, eu não vou falar sobre esse dinheiro”, disse.

CAMPANHA VIRTUAL

Caso semelhante ocorreu também com a candidata Neuma Maria (Pros). Postulante a uma vaga como deputada estadual, ela já disputou três vezes uma vaga na Câmara Municipal de Fortaleza. Neuma gastou R$ 300 mil na campanha, com a maior fatia, R$ 239,7 mil, destinada à publicidade em materiais impressos. Outros R$ 60 mil foram empregados na locação de veículos. Ao todo, ela obteve 221 votos.







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