CE poderá ter mais dias de seca no interior e enchentes no litoral, apontam pesquisas

Controle de desmatamento, queimadas e outras formas de emissão de gás carbônico reduz impactos
Um salto no futuro mostra um cenário preocupante no Ceará: mais dias de seca no interior, enchentes no litoral e até a extinção de espécies marinhas devido às mudanças climáticas. Por isso, cientistas alertam para o controle das emissões de carbono como forma de evitar eventos extremos até o final do século, mas que já se desenham no presente.
Modelos matemáticos para a região do Nordeste apontam o aumento de 100 dias sem chuva, que acontecem desde 1901, para 140 dias de seca em 2100. Além disso, a temperatura pode subir mais de 4ºC e causar a extinção de corais, por exemplo, no Ceará.

O problema global se apresenta no Estado dessa forma: 42% das emissões de gases de efeito estufa estão relacionadas à energia, como transporte, geração elétrica e industrial. Outra parcela, 27%, fica com a agropecuária e 15% com resíduos sólidos e efluentes.
Os dados todos desta matéria são usados para debater o tema Mudanças Climáticas no Ceará e estão nos seguintes artigos: 
As mudanças de uso da terra e florestas, como o desmatamento, correspondem a 12% da emissão dos gases prejudiciais e 4% são dos processos industriais, como mineração
Os dados são de pesquisas científicas produzidas no Ceará e publicadas em revistas internacionais, além da plataforma do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (Seed), que produz estimativas dos poluentes.

“Ao longo de décadas nós tivemos uma regularidade, os próprios profetas do sertão indicavam quando começa e termina chover. O que a mudança climática faz é desregular o sistema”, resume Marcelo Soares, professor do Instituto de Ciência do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC).
As emissões podem prejudicar até a produção de alimentos, como aponta Marcelo, que também é pesquisador no programa Cientista-Chefe de Meio Ambiente da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) e Secretaria do Meio Ambiente do Ceará (Sema).
tema mudança climática é debatido na 27ª Conferência Internacional da ONU, a COP 27, que acontece no Egito
Tarin Frota Mont’Alverne, professora de Direito Internacional do Meio Ambiente na UFC e Cientista do Clima da Sema/Funcap, participa da COP 27 e aponta a necessidade de uma transformação sustentável sistêmica por meio de políticas públicas.

“Que aproveitem a oportunidade para melhorar significativamente o bem-estar da sociedade cearense e do próprio planeta. E o estado já está protagonizando essa agenda com o Hidrogênio Verde e a energia eólica offshore”, detalha.

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