No Ceará, antes mesmo do início da campanha eleitoral, em agosto, os dois candidatos já vinham tentando atrair o voto dos eleitores, mas por caminhos distintos, apontam especialistas entrevistadas pelo Diário do Nordeste.
O candidato petista teve, durante toda a campanha, um forte palanque, formado pelos então candidatos ao Governo do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e ao Senado, Camilo Santana (PT), ambos eleitos no último dia 2 de outubro.
A estratégia no Ceará teve como um dos focos o voto 'casado' para os três cargos, algo que se refletia, inclusive, no slogan da campanha: "O Ceará três vezes mais forte". Além disso, houve o reforço das obras e projetos realizados no estado ainda durante os dois mandatos do ex-presidente.
Por outro lado, Bolsonaro possui uma resistência no Ceará, assim como em outros estados do Nordeste. Por isso, o mandatário viu o volume de lideranças que o apoiam crescer apenas no segundo turno, durante a campanha antes do 1 ° turno, muitos candidatos preferiram não se alinhar ao presidente.
Mas a tentativa de atrair os votos cearenses passou por uma maior presença no estado: Bolsonaro esteve no Ceará quatro vezes ao longo de 2022. Lideranças nacionais ligadas ao presidente, como a primeira-dama Michelle Bolsonaro e ex-ministros de Estado, também passaram por aqui.
O PALANQUE DE LULA NO CEARÁ
Coordenadora do Laboratório de Estudos em Política, Eleições e Mídia (Lepem/UFC), Monalisa Soares lembra que, ainda em 2021, Lula havia falado que queria "disputar o coração bondoso de Camilo".
Apesar de petista, o ex-governador do Ceará sempre teve forte aliança com os irmãos Ferreira Gomes, ambos no PDT, e nem sempre 'vestiu a camisa' de candidaturas petistas no Ceará.
Ao conquistar o apoio de Camilo, que acabou, inclusive, rompendo com o ex-ministro Ciro Gomes, Lula "ganhou o maior cabo eleitoral do Estado", reforça Soares.
"A aposta de estreitar essa relação, de vincular. O Lula pode oferecer algo para o Camilo, que era uma plataforma partidária de envergadura nacional como é o PT. E fez bem esse investimento de fidelizar o Camilo no PT. (...) O movimento mais importante do Lula foi ter disputado e conquistado o coração do Camilo Santana".
MONALISA SOARES
Coordenadora do Lepem/UFC
Ela lembra ainda que as duas agendas que o ex-presidente petista teve no Ceará tiveram relação direta com as demais candidaturas na chapa, a primeira na convenção que lançou Elmano de Freitas como candidato a governador e a segunda na reta final da campanha de primeiro turno.
"Aqui no Ceará, existe o fortalecimento do PT pelo Elmano, pelo Camilo como senador. Esse fortalecimento ajuda muito. Ele consolida essa ideia que o Ceará possui de restabelecimento, de regresso de um PT mais forte", acrescenta a doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Mariana Dionísio. A estratégia serviu, assim, "para dar visibilidade à aliança" e "garantir o voto casado".
Além da força de lideranças do próprio PT, principalmente os então candidatos da chapa majoritária, a campanha de Lula no Ceará acabou atraindo outros atores políticos importantes no estado.
Ainda antes do 1º turno, a governadora Izolda Cela (sem partido) anunciou apoio ao ex-presidente e se encontrou com ele durante agenda em Fortaleza no dia 30 de setembro. Para o segundo turno, ela esteve em São Paulo para participar da gravação de vídeo para a propaganda do candidato.
Para o 2º turno, Lula recebeu mais dois acréscimos à campanha: o senador Cid Gomes (PDT), que vinha fazendo campanha para o irmão Ciro no 1° turno, e o senador Tasso Jereissati (PSDB), que apoiava Simone Tebet (MDB).
CRESCIMENTO DE APOIO PARA BOLSONARO
Por outro lado, uma das dificuldades encontradas pelo presidente Bolsonaro no Ceará foi o fortalecimento de um palanque durante a campanha para o 1º turno, e mesmo antes disso.
Sem uma candidatura própria do PL ao Governo do Ceará, que chegou a ser cogitada pela presidência estadual da legenda, o principal candidato da oposição, Capitão Wagner (União), não "bancou" o alinhamento com o presidente durante a primeira parte da campanha eleitoral.
Durante o primeiro turno, quando concorria ao cargo de governador, Wagner evitava se comprometer com a candidatura do atual mandatário e dizia que iria conversar com 'qualquer presidente eleito'.
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