Como Lula e Bolsonaro disputaram o voto dos cearenses na eleição de 2022

A disputa presidencial chega ao fim neste domingo (30) quando os brasileiros vão às urnas escolher entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) para um mandato de quatro anos no comando do Palácio do Planalto.

No Ceará, antes mesmo do início da campanha eleitoral, em agosto, os dois candidatos já vinham tentando atrair o voto dos eleitores, mas por caminhos distintos, apontam especialistas entrevistadas pelo Diário do Nordeste.
O candidato petista teve, durante toda a campanha, um forte palanque, formado pelos então candidatos ao Governo do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e ao Senado, Camilo Santana (PT), ambos eleitos no último dia 2 de outubro. 

A estratégia no Ceará teve como um dos focos o voto 'casado' para os três cargos, algo que se refletia, inclusive, no slogan da campanha: "O Ceará três vezes mais forte". Além disso, houve o reforço das obras e projetos realizados no estado ainda durante os dois mandatos do ex-presidente. 

Por outro lado, Bolsonaro possui uma resistência no Ceará, assim como em outros estados do Nordeste. Por isso, o mandatário viu o volume de lideranças que o apoiam crescer apenas no segundo turno, durante a campanha antes do 1 ° turno, muitos candidatos preferiram não se alinhar ao presidente. 

Mas a tentativa de atrair os votos cearenses passou por uma maior presença no estado: Bolsonaro esteve no Ceará quatro vezes ao longo de 2022. Lideranças nacionais ligadas ao presidente, como a primeira-dama Michelle Bolsonaro e ex-ministros de Estado, também passaram por aqui. 
O PALANQUE DE LULA NO CEARÁ
Coordenadora do Laboratório de Estudos em Política, Eleições e Mídia (Lepem/UFC), Monalisa Soares lembra que, ainda em 2021, Lula havia falado que queria "disputar o coração bondoso de Camilo".

Apesar de petista, o ex-governador do Ceará sempre teve forte aliança com os irmãos Ferreira Gomes, ambos no PDT, e nem sempre 'vestiu a camisa' de candidaturas petistas no Ceará. 

Ao conquistar o apoio de Camilo, que acabou, inclusive, rompendo com o ex-ministro Ciro Gomes, Lula "ganhou o maior cabo eleitoral do Estado", reforça Soares. 

"A aposta de estreitar essa relação, de vincular. O Lula pode oferecer algo para o Camilo, que era uma plataforma partidária de envergadura nacional como é o PT. E fez bem esse investimento de fidelizar o Camilo no PT. (...) O movimento mais importante do Lula foi ter disputado e conquistado o coração do Camilo Santana". 
MONALISA SOARES
Coordenadora do Lepem/UFC
Ela lembra ainda que as duas agendas que o ex-presidente petista teve no Ceará tiveram relação direta com as demais candidaturas na chapa, a primeira na convenção que lançou Elmano de Freitas como candidato a governador e a segunda na reta final da campanha de primeiro turno. 

"Aqui no Ceará, existe o fortalecimento do PT pelo Elmano, pelo Camilo como senador. Esse fortalecimento ajuda muito. Ele consolida essa ideia que o Ceará possui de restabelecimento, de regresso de um PT mais forte", acrescenta a doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Mariana Dionísio. A estratégia serviu, assim, "para dar visibilidade à aliança" e "garantir o voto casado".

Além da força de lideranças do próprio PT, principalmente os então candidatos da chapa majoritária, a campanha de Lula no Ceará acabou atraindo outros atores políticos importantes no estado.
Ainda antes do 1º turno, a governadora Izolda Cela (sem partido) anunciou apoio ao ex-presidente e se encontrou com ele durante agenda em Fortaleza no dia 30 de setembro. Para o segundo turno, ela esteve em São Paulo para participar da gravação de vídeo para a propaganda do candidato.

Para o 2º turno, Lula recebeu mais dois acréscimos à campanha: o senador Cid Gomes (PDT), que vinha fazendo campanha para o irmão Ciro no 1° turno, e o senador Tasso Jereissati (PSDB), que apoiava Simone Tebet (MDB). 

CRESCIMENTO DE APOIO PARA BOLSONARO
Por outro lado, uma das dificuldades encontradas pelo presidente Bolsonaro no Ceará foi o fortalecimento de um palanque durante a campanha para o 1º turno, e mesmo antes disso. 

Sem uma candidatura própria do PL ao Governo do Ceará, que chegou a ser cogitada pela presidência estadual da legenda, o principal candidato da oposição, Capitão Wagner (União), não "bancou" o alinhamento com o presidente durante a primeira parte da campanha eleitoral. 

Durante o primeiro turno, quando concorria ao cargo de governador, Wagner evitava se comprometer com a candidatura do atual mandatário e dizia que iria conversar com 'qualquer presidente eleito'. 

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