Governadores pedem parecer nacional sobre antecipação de segunda dose da vacina contra a Covid-19

Governadores pedem parecer nacional sobre antecipação de segunda dose da vacina contra a COVID-19

Documento formalizando pedido será enviado ao Ministério da Saúde em até 48 horas

Mão segurando doses da vacina da Pfizer
Legenda: Intervalo recomendado pela fabricante da vacina é de 21 dias, mas Ministério da Saúde indica 90 dias de intervalo
Foto: Javier Torres/AFP

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), comunicou, nesta terça-feira (13), que será encaminhado para análise do Plano Nacional de Imunização (PNI) documento para alinhamento nacional da antecipação da segunda dose de vacinas contra a Covid-19.

A declaração, dada ao lado do ministro Marcelo Queiroga, ocorreu na saída de uma reunião do Ministério com o Fórum de Governadores. No encontro, o grupo cobrou um parecer federal sobre a possibilidade de antecipar a aplicação da segunda dose de algumas vacinas, em especial a da AstraZeneca, cujo prazo atual é de três meses.

Dias disse que um documento que formaliza o pedido deve ser encaminhado ao ministério em até 48 horas.

"Vai caber ao PNI, à área técnica, à área científica, se debruçar, inclusive ouvindo tanto quem tem uma posição de redução (do prazo da segunda dose) quanto quem não tem uma posição de redução, e adotar uma medida. E, com isso, a gente ter uma posição de forma nacional, que vai valer para todos os estados e todos os municípios", destacou Dias.

O pedido segue medidas recentes adotadas em alguns estados, que já estabelecem prazos mais curtos para a oferta da segunda dose com a justificativa de aumentar a proteção contra algumas variantes do coronavírus, como a delta.

"É possível que possamos ter um formato de ter um plano nacional? Seria [diminuir] 15, 30 dias? Ou não altera e mantém como está? Precisamos ter essa segurança", disse o governador do Piauí. "Queremos seguir o que for mais adequado para o plano de vacinação."

VACINAÇÃO ALÉM DO PRAZO DA BULA

O MS orientou, no dia 3 de maio, início da distribuição das doses da Pfizer, que os municípios adotassem intervalo de 120 dias entre as duas doses do imunizante. A medida se deu pela "necessidade de ampliar a vacinação em todo o País", conforme nota da Pasta.

A recomendação é quase seis vezes maior que a da farmacêutica responsável pela vacina, que indica prazo "maior ou igual a 21 dias" entre as aplicações. A Pfizer salientou que "a segurança e eficácia não foram avaliadas em esquemas de dosagem diferentes" do prazo estipulado pela bula.

Um dia depois da recomendação do MS, a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) divulgou que o Ceará adotaria intervalo de três meses entre as doses.

"Para a AstraZeneca, fala-se em reduzir o prazo de aplicação [da segunda dose]. Mas pesquisadores de Oxford falam que se alargar [o prazo] pode ter cenário mais favorável, então vamos deixar os técnicos decidirem isso. Não se pode querer uma medicina baseada em evidência self-service, em que para algumas coisas quero [usar evidência] e para outras não quero."

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