Efeito em cadeia é a explicação de empresários e especialistas para a subida de preços. Afinal, da indústria, passando pela distribuidora, até à loja ou à casa do cliente, é preciso um meio de transporte - geralmente rodoviário - e cujo combustível é gasolina ou diesel.
Mas, como é de se esperar, só quando os alimentos têm os valores elevados é que o sentimento de alta vem à tona para a população. E é nos supermercados que isso acontece. No Ceará, alimentos e bebidas estão 2,61% mais caros, segundo o IBGE. A cesta básica está 8,87% mais cara do que no ano passado.
"O varejista ainda faz a conta, consegue segurar (o valor) quando faz alguma negociação anterior ao reajuste, mas, depois, quando chegam outras cargas não sustenta e acaba repassando", diz Nidovando Pinheiro, presidente da Associação Cearense de Supermercados (Acesu).
A alta dos itens comercializados pelo setor supermercadista é horizontal, sem destaques, e foge do controle, segundo ele. Mas, dentre os inúmeros fatores que possuem influência sobre a elevação de preços, o combustível salta aos olhos do setor.
Inclusive quando o delivery sinalizou uma melhora para o atendimento do cliente e também maior volume de vendas, os combustíveis vieram para tascar um peso a mais para ambos os lados. Nidovando estima que o incremento nas vendas para entrega em domicílio ficou entre 20% e 30% maior desde o início da pandemia. Parte do valor consumido por gasolina ou diesel.Nas farmácias, diz o presidente do Sincofarma-CE, Antônio Félix, só não é igual porque o preço dos medicamentos é regulado pelo Governo Federal e só pode aumentar uma vez ao ano. Mas os demais produtos são elevados quando as distribuidoras repassam o aumento do combustível. "Apenas as grandes farmácias trabalham com centros de distribuição. As pequenas dependem da distribuição e tem os itens de conveniência ajustados automaticamente após alta", conta.
E o impacto vai além, segundo Nidovando Pinheiro, ao lembrar do peso sobre demais derivados de petróleo usados pelos supermercados: "outros produtos derivados de petróleo, como as sacolas e embalagens dos produtos, aumentaram 100%... Dobrou de preço. Saco de pão, saco das frutas... isso tem sido um reajuste muito grande", enumera.
Grande e sem controle, acrescenta Bruno Iughetti, especialista da área de petróleo e gás. Sem a desoneração sobre PIS e Cofins que incidia sobre o diesel até o fim do mês passado, o principal combustível de transporte de cargas saltou de valor e não tem expectativas de arrefecer, segundo ele. O mesmo é observado para a gasolina.
"Esperava-se que antes de terminar a desoneração do PIS/Cofins, devia ser vigorado um novo decreto além dos 60 dias, que era a expectativa. O diesel é muito sensível em termos de geração inflacionária. Se não houver um controle, evidentemente, o preço do diesel deve influenciar nas demais cadeias de produção e serviço, como está acontecendo", descreve.
Já a gasolina é apontada pelo especialista como ponto de tensão mais próximo das finanças pessoais, para o consumidor que possui automóvel próprio, mas também para o que recorre à aplicativos de corrida. A alternativa, neste caso, precisa ser feita na calculadora para evitar grandes sobressaltos nas finanças pessoais. (Colaborou Adriano Queiroz)
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